COMO DESPERTAR SEU ESPÍRITO DE LIDERANÇA

Quando o furacão Katrina atingiu o sul dos Estados Unidos em 2005, David Slater, sub-chef de um dos restaurantes mais badalados de Nova Orleans, perdeu tudo: seu apartamento, seus pertences e seu emprego, já que o estabelecimento teve que passar por uma grande reforma.

Slater passou os seis meses seguintes fazendo bicos em restaurantes em Nova York e Atlanta e, quando voltou para casa, descobriu que sua vaga já estava preenchida. Sem escolhas, ele aceitou um emprego mais básico na cozinha.

Sua lealdade e dedicação foram recompensadas. Em poucos meses, Slater reassumiu sua antiga posição. Em 2008, quando o chef principal deixou o restaurante, ele ficou com o cargo.

Para Slater, sua ascensão ocorreu em parte porque ele entendeu que, nesse tipo de estabelecimento, seguir ordens à risca é tão importante quanto ditar as regras.

Mudança de atitude

Mas no mundo dos negócios, nem sempre é simples definir um bom seguidor de ordens. Em alguns setores, como na indústria manufatureira, espera-se que os trabalhadores sigam ordens rigidamente. Já em outras áreas, houve uma mudança de padrões, e os “bons” seguidores são justamente aqueles que desafiam a autoridade e ajudam na tomada de decisões.

“A mudança nessa definição é uma mudança social que está sendo observada no mundo inteiro”, afirma Barbara Kellerman, professora de liderança pública na Kennedy School of Government, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

No decorrer das últimas décadas, trabalhadores começaram a ter a expectativa de participar mais na tomada de decisões, uma tendência que se acelerou nos últimos quatro a cinco anos porque a tecnologia possibilitou uma colaboração maior e um melhor acesso à informação.

Empresas hoje buscam entender seus funcionários e encontrar o melhor líder para eles

“Em todo o mundo, líderes estão mais fracos, em termos gerais, e os seguidores estão se fortalecendo”, afirma Kellerman. “Isso é replicado no mundo corporativo, nos governos e nas ruas da Grécia, da Espanha, de Hong Kong, e em outros lugares onde há uma insatisfação econômica e política.”

Segundo Kellerman, gerentes precisam se fazer uma pergunta muito simples: “Como posso gerenciar em uma época em que as pessoas nos desafiam cada vez mais?”.

Em vez de ditar regras aos funcionários, o trabalho de um gerente hoje é mais de tentar convencê-los a cumprir com as tarefas e dar a eles motivos para isso. “Isso requer um tipo de liderança muito diferente do de épocas passadas”, diz a especialista.

Até alguns sistemas de gestão autocráticos da Ásia e o do Oriente Médio estão sendo substituídos à medida em que os empregados são cada vez mais incentivados a desafiar seus chefes com novas ideias.

Entender motivações e tomar rédeas

Restaurantes são um exemplo onde ordens têm de ser cumpridas para manter consistência

Laurent Lapierre, professor da Faculdade de Administração da Universidade de Ottawa, no Canadá, lembra que essas mudanças não significam desistir da ideia de que o gerente é o chefe. “Pelo contrário, elas indicam que hoje as empresas levam em consideração cada funcionário e analisam que tipo de líder eles precisam”.

Segundo o especialista, alguns empregados preferem uma dinâmica mais passiva, de executar as tarefas ditadas pelo chefe. E, enquanto esses funcionários são bons executores, têm menos tendência a inovar e a sugerir ideias novas

Por isso, algumas empresas funcionam melhor quando existem pessoas mais proativas; e elas querem participar das grandes decisões, do orçamento a novas estratégias, qualquer coisa que possa influenciar.

“Nem todo empregado é um seguidor, assim como nem todo chefe é um líder”, diz Lapierre. “Como líder, você tem que se perguntar o que precisa fazer para tornar as pessoas suas seguidoras”.

Ele lembra que, pela antiga estrutura corporativa adotada por líderes autocráticos, esperava-se que os chefes estalassem o chicote. Hoje, ser chefe tem mais a ver com entender as motivações dos subalternos. “É isso o que define uma boa liderança”, afirma Lapierre.

Para ele, o motivo pelo qual isso nem sempre acontece na vida real é simples: muitos gerentes são muito inseguros e têm medo de perguntar aos empregados o que está errado com sua própria maneira de liderar.

“Mas existe uma exceção. Em uma crise, é hora de o chefe tomar as rédeas, dar ordens e conduzir a equipe em meio ao problema”, explica Lapierre.

Hierarquia e consistência

Como em muitas indústrias, o chef Slater, de Nova Orleans, afirma que muitas cozinhas de importantes restaurantes hoje permitem mais colaboração. Sub-chefes e cozinheiros trazem suas ideias e elaboram pratos que acabam sendo destaques em um menu especial.

“Eu quero que exista essa colaboração e tento incentivar meus funcionários a trazer novas ideias”, diz Slater. “Tudo funciona melhor se as pessoas sentem que seu chefe as está escutando”.

No entanto, a colaboração acaba quando o serviço de jantar começa. Nessa hora, os cozinheiros têm que executar os pratos exatamente como o chef exigir. Sem isso, a consistência que o consumidor final espera pode ficar comprometida. “Sem hierarquia, as coisas se confundem e o produto não sai corretamente”, lembra Slater.

Quando foi rebaixado a cozinheiro, Slater teve que acatar ordens de pessoas que antes se reportavam a ele. Isso o ensinou sobre a importância da hierarquia, como aqueles na base da pirâmide têm que seguir as ordens daqueles que estão no topo para que a cozinha seja eficiente e consistente.

“Ao reassumir o papel de gerente, passei a pensar sobre a importância das ordens e sobre a maneira como eu as transmito”, diz o chef.

Afinal, a liderança é guiada pelo aprendizado de como fazer da sua equipe seus seguidores.

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