É possível construir uma economia digital no Brasil?

Para se tornar competitivo, o Brasil precisa consolidar sua economia digital, o que poderia inserir bilhões de dólares no mercado nos próximos anos. O principal desafio dos gestores nesse momento é decidir a melhor estratégia para atuar com seu negócio nesse novo mundo.

Para se ter uma ideia, de acordo com um levantamento da Accenture, o aumento do uso de tecnologias digitais poderia impactar a produtividade das dez maiores economias mundiais, adicionando US$1,36 trilhão ao PIB desses países até 2020. No caso do Brasil, o impacto no PIB poderia chegar a US$97 bilhões no mesmo período.

O constante crescimento da Internet e a inserção dos smartphones no mercado local, combinados com um perfil de população jovem e produtiva, favorecem o desenvolvimento da economia digital do País. Considere estas estatísticas: o Brasil possui 281,7 milhões de dispositivos móveis ativos, de acordo com a consultoria Teleco; mais de 107 milhões de usuários de internet no final de 2014 – o quarto maior número de usuários no mundo, de acordo com o eMarketer; dados do e-Bit indicam que o e-commerce no Brasil cresceu 22% em 2014, colocando o País entre os dez maiores mercados do mundo.

Estes números constituem a base de um grande potencial com relação às oportunidades de negócios e sinergia entre verticais de mercado. Os bancos, por exemplo, podem alavancar soluções em parceria com redes varejistas, oferecendo opções de pagamento mais amigáveis aos consumidores, bem como novos serviços.

Mas como isso funciona? O banco turco Garanti, por exemplo, possui um aplicativo móvel que oferece aos clientes ofertas personalizadas e dicas com base em sua localização e histórico de gastos. Ele utiliza GPS e Foursquare para informar aos clientes sobre ofertas especiais, dar sugestões de desconto e estimar quanto o cliente terá em sua conta até o final do mês. O aplicativo também pode ser usado para transferências e saques no caixa sem cartão – o que é bom para o comércio e, obviamente, para o banco.

É o que chamamos de “Everyday Bank”, ou seja, uma empresa de serviços financeiros que é parte integrante da vida cotidiana das pessoas. Outro exemplo é o banco polonês online mbank, que lançou um aplicativo de empréstimos rápidos, permitindo aos clientes a obtenção de crédito com transferência direta para a conta em questão de minutos. Após a operação via aplicativo, o usuário fica sabendo em poucos segundos se o empréstimo foi ou não aprovado e pode confirmar a transação por meio do seu código PIN.

Esses serviços são referências de negócios que interagem com outros em um nível digital para criar o que chamamos de “We Economy”, na qual empresas pioneiras buscam uma ampla gama de oportunidades, clientes e dispositivos digitais, complementando os seus serviços para criar um novo “ecossistema”.

Nos EUA, por exemplo, a Home Depot atua em conjunto com os fabricantes para garantir que todos os produtos para casa conectada sejam compatíveis com o sistema de conexão Wink, criando assim o seu próprio ecossistema e desenvolvendo novos serviços e experiências para os clientes Wink.

Por que, então, as empresas brasileiras não adotam esse modelo? Essa evolução pode acontecer em qualquer segmento de mercado. O ponto é que as empresas locais precisam pensar de maneira não convencional sobre como interagir e trabalhar colaborativamente; em como potencializar seus pontos fortes e conhecimentos específicos e, então, conectar-se para oferecer melhores serviços aos clientes. Neste sentido, as tecnologias digitais devem ser um facilitador desse processo no País, que já possui grande potencial para ser um dos líderes em economia digital.

O objetivo não é defender o digital pelo bem do digital; mas pelo bem do mercado, das empresas e dos usuários.

Gianfranco Casati

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